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Óleo de alecrim para cabelo: uma análise honesta do estudo que todo mundo cita

O óleo de alecrim para cabelo tem um ensaio real, com 100 homens, contra minoxidil a 2%. Veja o que ele encontrou, o que não testou e como usar.

A resposta curta

O óleo de alecrim para cabelo tem como principal base um único ensaio, de 2015, que comparou o óleo com minoxidil a 2% em 100 homens com alopecia androgenética por seis meses e encontrou aumentos parecidos na contagem de fios, com menos coceira no grupo do alecrim. É um estudo só, sem grupo placebo e em um tipo específico de queda, e mulheres não fazem parte da população descrita. É um motivo para interesse cauteloso, não a ciência definitiva que as redes sociais vendem. Quem tem queda repentina, falhas ou sintomas no couro cabeludo deve procurar um dermatologista.

O óleo de alecrim está em toda parte. Nas redes sociais, aparece como um equivalente natural do minoxidil, quase sempre com fotos de antes e depois e quase nunca com uma referência.

Dessa vez, porém, existe um estudo de verdade por trás da moda. Vale ler com atenção, porque o que ele mostra é mais interessante do que o exagero e do que quem diz que não há prova nenhuma.

O estudo sobre óleo de alecrim para cabelo

Em 2015, a revista Skinmed publicou um ensaio de Panahi e colegas, feito no Irã. Foram 100 pessoas com alopecia androgenética, a queda de padrão hereditária, sorteadas para usar óleo de alecrim (50) ou minoxidil a 2% (50) no couro cabeludo durante seis meses. O resumo publicado fala em "pacientes". A indexação do artigo no MEDLINE lista apenas o sexo masculino e referências clínicas o descrevem como um estudo em homens adultos. Mulheres, portanto, não fazem parte da população descrita.

A contagem de fios foi feita com microfotografia padronizada no início, aos três meses e aos seis meses. O resultado:

  • Aos três meses: nenhuma mudança significativa em nenhum dos grupos.
  • Aos seis meses: aumento significativo na contagem de fios nos dois grupos, sem diferença significativa entre eles.
  • Coceira no couro cabeludo: aumentou nos dois grupos em relação ao início, e foi mais frequente no grupo do minoxidil.

É um resultado real, de um ensaio randomizado real, e quem diz que não existe nenhuma evidência sobre o alecrim não leu o estudo.

O que o estudo não mostra

Agora, as ressalvas. Todas importam.

Não houve grupo placebo. O ensaio comparou dois tratamentos ativos. Sem um grupo usando só o óleo base, não dá para separar o efeito do alecrim do efeito de massagear algo no couro cabeludo durante seis meses.

É um estudo só. Não encontramos uma repetição independente desse ensaio. Até isso acontecer, ele é uma pista, não um conhecimento consolidado.

Foi em homens com alopecia androgenética. Não testou mulheres, queda pós-parto, queda por estresse nem o cabelo saudável de quem só quer um crescimento mais rápido. A maior parte das pessoas que usam o óleo está fora da população estudada.

A contagem por foto tem limites. É um método padrão e razoável, mas luz, posição e observador podem interferir, e isso torna pequenas diferenças menos confiáveis.

O minoxidil usado foi o de 2%. É a concentração mais baixa das duas mais comuns, não a de 5%.

Receitas caseiras são outra coisa. O ensaio avaliou um óleo de alecrim. Chá, água de alecrim e tônicos feitos em casa não são o que foi testado.

Existem também estudos de laboratório e em animais sobre o extrato de alecrim e seus componentes, em especial o ácido carnósico, que mostraram crescimento de pelos em camundongos e inibição da 5-alfa-redutase em células. É assim que se constrói um mecanismo plausível, e é um bom motivo para fazer mais ensaios em pessoas. Não é evidência em seres humanos.

O que dá para concluir

PerguntaResposta para o óleo de alecrim
Quantos ensaios contra minoxidil?Um
Quantas pessoas?100
Quem?Homens com alopecia androgenética
Comparado com o quê?Minoxidil a 2%, sem placebo
Medido como?Contagem de fios por microfotografia
Por quanto tempo?Seis meses

O óleo de alecrim é uma opção de baixo risco quando diluído, com um ensaio real a favor, um mecanismo plausível e nenhuma forma de saber ainda se ele fará diferença para você. É uma posição melhor do que a de quase todo o resto na categoria de crescimento natural. Também está muito longe do que os vídeos prometem.

Essas mesmas perguntas valem para qualquer coisa vendida para o cabelo, inclusive a biotina: quantos ensaios, quantas pessoas, comparado com o quê, medido como e por quanto tempo?

Como usar óleo de alecrim, se você quiser testar

  1. Dilua sempre. Algumas gotas de óleo essencial em um óleo carreador, como o de jojoba, ou um produto pronto em que a diluição já foi feita.
  2. Aplique no couro cabeludo, não no comprimento, algumas vezes por semana.
  3. Pare se houver irritação. E se seu couro cabeludo tem tendência à dermatite seborreica, tenha cuidado: óleo pode piorar esse quadro, como explica o guia de como tirar caspa.
  4. Mude só isso. Se trocar mais coisas ao mesmo tempo, você não vai saber o que ajudou.
  5. Avalie em seis meses, com fotos na mesma luz. No próprio ensaio, nada de significativo apareceu aos três meses.

Se o que você quer é mais comprimento, e não tratar uma queda, o guia sobre como fazer o cabelo crescer mais rápido mostra onde o comprimento realmente se perde.

Perguntas frequentes

Óleo de alecrim faz o cabelo crescer?

Não há prova de que ele acelere o crescimento de um cabelo saudável. O ensaio mais citado foi feito em homens com alopecia androgenética, e a contagem de fios aumentou em seis meses tanto com o alecrim quanto com o minoxidil a 2%. Sem grupo placebo, não dá para saber quanto desse ganho veio do próprio alecrim.

Óleo de alecrim funciona igual ao minoxidil?

O estudo não encontrou diferença significativa entre os dois grupos, mas isso não equivale a provar que são iguais. Foi um único ensaio, contra a versão de 2%, em homens. O minoxidil tem décadas de estudos com milhares de participantes. A escolha é uma conversa para ter com um médico.

Como usar óleo de alecrim no cabelo?

Dilua algumas gotas do óleo essencial em um óleo carreador, como o de jojoba, ou use um produto pronto, já diluído. Aplique no couro cabeludo, deixe agir, repita algumas vezes por semana e avalie em seis meses, não em seis semanas.

Pode passar óleo essencial de alecrim puro no couro cabeludo?

Não é recomendado. Sem diluir, o óleo essencial pode irritar e sensibilizar a pele. Dilua sempre, mantenha longe dos olhos e das crianças e suspenda o uso se houver irritação.

Grávida pode usar óleo de alecrim?

Não é recomendado na gravidez. Se você está grávida ou amamentando, converse com o seu médico antes de usar qualquer óleo essencial.

O Kera oferece sugestões de cuidados com o cabelo, não aconselhamento médico. Não diagnostica nem trata nenhuma doença. Em caso de queda repentina ou em falhas, ou de sintomas no couro cabeludo, procure um médico.